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Como o coronavírus potencializa a transição ao on-line

Atualizado: Ago 6

Desde o advento da internet, grande parte do que estamos (ou estávamos?) acostumados a vivenciar no mundo real, ou melhor dizendo, no mundo físico, está sendo 'transportada' para o campo virtual. Nossas interações sociais, compras, pesquisas, nossos meios de se informar, trabalhar, consumir filmes e séries estão sendo realizados com o tempo, cada vez mais, dentro de um smartphone, computador ou notebook. Com o distanciamento social 'forçado' pela pandemia do novo coronavírus, a transição do real para o on-line, que já vem acontecendo há quase meio século, ganha um ritmo ainda mais forte e acelerado.


Criada em 1969, nos Estados Unidos, a internet teve o seu uso comercial liberado pela primeira vez apenas 18 anos depois. Dessa forma, no começo da década de 1990, diversas empresas provedoras de acesso à internet começaram a surgir no país norte-americano. Porém, em 1992, o CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) foi quem inventou a World Wide Web, que começou a ser utilizada para colocar informações ao alcance de qualquer usuário da internet. A partir daí, a difusão da rede foi enorme.


Hoje, globalmente disseminada, ela é indispensável na vida de muita gente. Para uma determinada parcela das pessoas, é difícil imaginar um dia sequer em que você não vai ligar o aparelho eletrônico que você possui e não se conectar a essa rede, seja no seu celular, computador, notebook, ou até na TV da sua sala, dependendo da sua situação financeira. Principalmente nós, da classe média para cima, já vivemos há alguns anos a experiência de ficar divididos entre os momentos que presenciamos dentro da vida física e os da vida cibernética. Contudo, o dia, que uma vez, estávamos habituados a planejar com uma parte dentro da rede e a outra fora, agora, somos 'coagidos' a programá-lo ficando ainda mais tempo dentro do que fora dela.


Seguindo as recomendações e determinações dos principais órgãos e autoridades de saúde, hoje, estamos em maior quantidade cumprindo em nossas casas este momento de propagação da COVID-19, em nome do bem-estar e segurança da sociedade. Isso quer dizer que, entre outras coisas, temos de deixar de ir aos shoppings centers, cinemas, bares, restaurantes e qualquer outro ambiente que exija um certo nível de aglomeração de pessoas. Diante desta realidade, as experiências e os produtos e serviços que ainda consumíamos presencialmente, agora, estão sendo cada vez mais substituídos ou transformados virtualmente.


Um certo número de pessoas mal tinha começado a fazer home office e a evitar as tais saídas de casa, e o consumo por internet e por tudo que há disponível on-line começou a crescer exponencialmente. Assim, os números de assinatura por serviços de streaming, as compras e o uso por ferramentas de comunicação e meios de informação virtuais estão sendo aproveitados mais do que nunca. E a tendência é que se mantenha assim, até que os dados registrados de pessoas infectadas e mortas pelo novo coronavírus sejam reduzidos a uma proporção que faça com que os órgãos de saúde recomendem nossa volta à rotina previamente habitual.


Antes desse alerta mundial, nós, classe social mais privilegiada, tínhamos a possibilidade, por exemplo, de escolher entre ir ao cinema ou ver um filme em casa, seja na TV ou pela internet. Agora, para evitar a concentração de várias pessoas, é melhor que optemos por assistir a uma obra da sétima arte dentro dos lares. O mesmo acontece com o modo com que nos alimentamos. Anteriormente, decidíamos entre ir a uma lanchonete, bar, restaurante ou pedir que determinado negócio alimentício entregasse a comida em casa. Hoje, é indicado que façamos o pedido por delivery ou via drive-thru. Com o fechamento provisório dos shoppings centers, a compra de outros produtos e serviços também se tornou viável estando conectado apenas à rede.


Aliás, as grandes marcas e startups, que já vinham tentando encontrar um equilíbrio entre disponibilizar seus serviços no campo cibernético e no físico, agora, colocam seus esforços praticamente voltados à primeira opção. Mas isso não é verdade só para as grandes marcas e startups, bem como para as micro, pequenas e médias empresas. Este novo cenário parece, infelizmente, ter oferecido somente um único caminho para a sobrevivência de negócios desse porte.


Com a ampla quantidade de gente confinada em casa, fica impraticável, por tempo indeterminado, a população ir até os locais de venda e, assim, fazer com que principalmente o comércio local não sofra e/ou já se recupere. O que resta a esses estabelecimentos, nesse caso, é encontrar alguma maneira de se inovar dentro da internet e/ou aguardar que o governo, realmente, faça uma contribuição com uma injeção de capital significativa para os meses seguintes. Caso, pelo menos, uma dessas duas alternativas aconteça, tais pessoais desse setor possuem ainda alguma chance de não ficar sem suas principais fontes de renda.


De qualquer modo, daqui para frente, a propensão é de que as energias sigam extensamente dedicadas em encontrar soluções virtuais para que tanto as empresas de qualquer segmento quanto os consumidores consigam sobreviver e continuar com as suas vidas. Dessa forma, ambos sofrem o menor impacto possível diante da pandemia da COVID-19, que já vem há algumas semanas afetando o país e há mais de mês, o planeta. O fato é que as nossas experiências on-line estão aumentando de forma mais acelerada e continuará assim por mais algum tempo.

Nossas vidas pós-coronavírus


Talvez, o grande questionamento que fica diante de tudo isso, na verdade, será como vai ser quando esse contexto atual acabar e voltarmos a ter mais liberdade em sair de nossas casas com mais frequência. Será que já não estaremos acostumados o suficiente com ficar presentes demais no mundo virtual, e essa volta a um contato mais físico será mais complicada do que pensamos? Ou será que estaremos tão cansados de viver dentro de nossos computadores, que a procura por situações que envolvam interações presenciais ocorrerá de forma rápida e intensa?


Por outro lado, também pode ser que nem um e nem outro aconteçam. Pode haver (por que não?) um equilíbrio entre esses dois casos e o retorno à rotina pré-novo coronavírus transcorrer de forma moderada, tanto com os negócios quanto com os consumidores. Vai saber... Só nos resta, enquanto isso, cada um de nós esperar e ficar o máximo possível em casa, para que todos, assim, estejam e sigam mais protegidos e seguros. De qualquer forma, espero que consigamos lidar com toda essa situação e que o impacto seja o menos grave possível em todo o mundo.


NOTA: Este texto foi originalmente escrito por Fábio Reis em seu LinkedIn. Para conferir por lá, acesse: https://bit.ly/como-o-coronavírus-potencializa-transição-ao-on-line-linkedin.


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