• Poder do Clique

Não faça parte da manada

Creio que você já deva ter ouvido falar sobre o efeito manada, correto? Bom, se não ouviu, aqui vai uma breve explicação.

O efeito manada foi muito importante para a sobrevivência do ser humano ao longo destes milhares de anos.

Ele é a tendência e característica humana de copiar ou reproduzir ações feitas por outras pessoas, ainda mais se essas forem influentes, esperando assim ter o melhor resultado possível em um mar de escolhas.

Esse efeito traduz basicamente a ideia de que acabamos “concordando” e agindo como a maioria das outras pessoas, sem ter uma reflexão e conclusão própria.

O nome é dado por conta da semelhança com o que ocorre no reino animal, especificamente, com espécies que vivem em comunidades.





Nestes casos, é normal que todos os membros de um grupo (ou manada) partem em uma mesma direção, seguindo os indivíduos mais fortes.

Em muitos desses eventos, esta conduta é motivada pela necessidade de proteção e consequente segurança. Porque, juntos, estes animais têm mais possibilidades de sobreviver ao ataque de um predador.

Mas, quando ocorre com os humanos, os efeitos podem não ser tão positivos.

Agindo dessa forma, nos livramos do nosso próprio pensamento simplesmente porque “todo” o resto acha melhor assim, como se fosse uma unanimidade.

Por isso, o efeito manada remete ao pressuposto de que somos apenas mais um na multidão, de que não fazemos a diferença e seguimos o que a maioria está seguindo, seja ela uma ideia, uma atividade ou um comportamento.

No mundo psicológico, isso acontece porque queremos ser aceitos deliberadamente por um grupo ou uma sociedade e tememos por ser excluídos de tais.


Aliás, é só olharmos para a história e para o agora. Consegue entender que isso faz total sentido?

Esse tipo de comportamento foi também o objeto de estudo pelo psicólogo polonês natural de Varsóvia, Solomon Asch, na década de 1950.

Segundo o psicólogo, uma das principais conclusões foi que o simples desejo de pertencer a um clima e lugar homogêneos faz com que os indivíduos abdiquem de suas opiniões, convicções e individualidades.

Com isso, infelizmente, esse efeito elimina, muitas vezes, a exploração de novas ideias e conceitos das pessoas sobre quaisquer temas, assim digamos.


Isso porque ele tira a capacidade de duvidarmos, questionarmos e ouvirmos opiniões diferentes do que geralmente ouvimos.


Além disso, o efeito também tende a inspirar o pensamento de grupo, ou group think, em que novas ideias são rejeitadas e os indivíduos vão contra seus valores a fim de se alinharem com a maioria.


Ambos os pontos sufocam a criatividade e a inovação do ser humano.


Num ambiente de trabalho, por exemplo, é muito comum essa criatividade e inovação serem barradas, pois aceitamos e fazemos o que os nossos chefes estão mandando, sem se importarem, em muitos casos, com o nosso ponto de vista.


Nessas situações, a hierarquia e experiência do “chefe” se sobrepõem a do subordinado.



Os benefícios da cultura do ‘pensar diferente’



Por isso, se você quiser criar um lugar próspero e uma equipe colaborativa, eliminando toda indolência social no trabalho, você precisa estabelecer uma cultura de segurança psicológica.


Mas o que isso quer dizer?


Com a busca de grandes conquistas vem o risco do fracasso, e sua equipe precisa ter ciência de que vai ser amparada se ela falhar.


Aqui é importante ressaltarmos que não estamos valorizando a acomodação do funcionário e, sim, o incentivando a tomar riscos para que ele e a empresa possam crescer e se desenvolver.

Aliás, você consegue imaginar, por exemplo, o fundador do Facebook Mark Zuckerberg em ambiente totalmente controlado e cômodo? Claro que não, não é mesmo?





Foi necessário ele tomar riscos e se afastar dos estudos (por um tempo) para se tornar fundador da mídia social mais acessada do mundo.

Por essa razão, pode ser observado que muitos casos de sucesso se deram por causa do “pensar” diferente e expor aquilo de alguma forma que faça com que a pessoa tenha sucesso.

No entanto, ainda há muitos outros exemplos no mundo real para ilustrar que o efeito manada no ambiente profissional não faltam. É só pararmos e pensarmos:

Quantas vezes no trabalho já concordamos com algo somente porque o restante da equipe disse, tendo o consenso?

Quantas vezes na escola ou em um grupo de amigos aceitamos uma ideia porque todos já estavam de acordo?

Vamos exemplificar ainda mais um pouco. Imagine que você está andando na rua e se depara com uma pessoa olhando para cima.

Certamente, num primeiro momento, você até resiste em fazer o mesmo, mas então mais duas pessoas olham, depois mais uma, e outra mais...


Você, portanto, não consegue segurar mais a vontade e, quando menos percebeu, já começou a olhar para cima também.

Pois é, isso é muito comum no dia a dia.

Como uma breve indicação de filme tratando dessa questão, recomendamos que assista ao filme chamado “A Onda”, em que um professor conduz um projeto que busca explicar melhor aos seus alunos a realidade e as implicações de um regime fascista dentro de uma sala de aula.




Esse é um filme de drama e thriller alemão de 2008, dirigido por Dennis Gansel. Trata-se de uma adaptação do livro homônimo do norte-americano Todd Strasser.

O enredo foi inspirado na história real do professor Ron Jones, que conduziu uma experiência social com os seus alunos do ensino médio.


Bom, no filme, o professor e seus alunos dão o nome de “A Onda” ao movimento e escolhem um logotipo, uniforme e até mesmo uma saudação.

No desenrolar da história, o assunto passa a ser levado muito a sério e, com isso, mesmo fora dali, da sala de aula, o movimento dá sequência aos atos discriminatórios e de autoritarismo.

O problema neste experimento, como se pode imaginar, é que ele foge do controle, pois além de o “regime fascista” ter sido criado, a classe que está fazendo um projeto sobre anarquia passa a ser considerada como “o inimigo”, a resistência, e a partir daí surgem os conflitos entre os grupos.

Se olharmos para nossa atual sociedade, ainda mais com o avanço gigantesco da internet e mídias sociais, vemos como isso pode ser muito mais fácil e rápido de se alcançar.

Sejam grupos de esquerda ou direita, times de futebol ou grupos religiosos, sempre há o fanatismo e a manada seguindo cegamente ideia e práticas, sem uso do questionamento e da dúvida em que se proporciona o debate saudável e o discernimento de opiniões.

O caminho do seu sucesso pode estar justamente nessa contradição de ideias e pensamentos.


Vejamos qualquer pessoa bilionária atualmente: Jeff Bezos da Amazon, Bill Gates da Microsoft, ou até mesmo os fundadores da banco digital Nubank: David Vélez, Edward Wible e Cristina Junqueira.

Será que essas pessoas teriam chegado aonde chegaram fazendo e seguindo o que todo mundo faz e pensa? Ou seja, teriam criado o que criaram sendo ‘medíocres’ como a maioria?


Efeito manada em favor da nossa mente


Por outro lado, é válido pontuar que em alguns momentos é importante não levarmos a nossa opinião sempre como verdade absoluta.

Isso significa que podemos nos permitir abrir mão de certas convicções e estarmos disposto a ouvir e entender o lado da possível maioria, possibilitando ir além do que pensamos em nosso mundo.




Por isso, nem sempre precisamos ou devemos ser diferentes e nos “rebelar” contra tudo. Não é esse o objetivo deste texto.

Até porque, neurologicamente falando, o nosso cérebro, muitas vezes, busca por atalhos para decidirmos diversas coisas no dia a dia nas quais, se fôssemos parar para pensar toda vez que acontecessem situações iguais ou parecidas com as quais já vivemos, ficaríamos presos por muito tempo em contextos desnecessários.

Ou seja, o nosso cérebro trabalharia muito mais e nos cansaríamos ainda mais fácil e rápido. Mas isso não quer dizer que devemos utilizar sempre desse recurso para tudo em nossas vidas.

Geralmente, se desfazer de algumas convicções pessoais (tirando os valores éticos e morais, claro) para fazer parte de um grupo só é vantajoso se os objetivos gerais e mais importantes do grupo são iguais aos seus.

Ou quando a outra opção significa a morte ou tortura, o que já envolve coerção e não escolha.

No fim das contas, somente quando o grupo faz ou diz aquilo que nos representa, ou uma opinião sobre algo não tão relevante, é interessante relaxarmos nossa mente e concordarmos.


O que fazer depois disso tudo?


À parte disso, talvez não valha a pena se desfazer de uma ideia que torna você quem você é.

Mas para isso, cabe a você decidir o que te levará em frente na vida. Você, com a sua própria cabeça, experiência e conhecimento.

O que devemos deixar claro aqui é que você nunca pode deixar de querer aprender e questionar sobre aquilo que o cerca e impacta.

Não seguir a manada significa olhar com outros olhos quando ninguém mais está olhando. Significa agir quando ninguém está agindo ou até mesmo quando todos estão em direção oposta à sua.

Portanto, para isso, use a sensatez, que nada mais é do que não somente saber o que deve ser feito, mas fazer o que deve ser feito.

Expanda a sua mente!


#PoderdoClique #DesenvolvimentoPessoal #EfeitoManada

14 visualizações

                                                        © 2020 por Poder do Clique.

ACOMPANHE-NOS NAS MÍDIAS SOCIAIS

  • Preto Ícone Facebook
  • Preto Ícone Instagram