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O problema da 'tradição'​ e o benefício do 'modismo'​

Você não precisa ser da área do Marketing e Propaganda para saber o quão positivo é para uma marca fazer o uso da palavra 'tradição' dentro do próprio repertório. Enquanto isso, temos do outro lado um termo que, em grande parte dos casos, é visto como fator pejorativo: o 'modismo'. Porém, é importante ressaltar que, no mundo de hoje, o que muita gente vê como modismo ganha ainda mais corpo em cima do que alguns conhecem por tradição, e isso não é necessariamente algo ruim.


Primeiro, vamos refletir por que tradição é interpretada como um aspecto tão benéfico assim em nossa sociedade. Na maioria das ocasiões, enxergamos a palavra muito ligada ao fato de uma corporação possuir bastante tempo de atuação na sua área, ou seja, de mercado. E estar inserida durante vários anos em um comércio, seja de qual for o ramo, mostra que determinada empresa detém uma força considerável, ainda mais quando se fala, especialmente, de um mercado que exige alta competitividade.


A tal 'força', geralmente, está vinculada à imagem favorável que a instituição constrói e possui ao longo do tempo, perante os concorrentes do setor e, consequentemente, o público que se utiliza de seus serviços e produtos. Quando alguma marca (ou alguém) se mantém de pé, enfrentando e superando os obstáculos que o mundo dos negócios coloca à sua frente, pode-se dizer que essa força é refletida em tradição.


Na contramão da tradição, entretanto, modismo é um termo usado para desvalorizar e 'castigar' produtos, serviços, estilos de vida, movimentos e até mesmo empresas. Por exemplo, se alguém diz que determinado comportamento é 'modismo', ele quer dizer que isso não tem muito tempo de vida útil, então não possui força, valor e tampouco vai durar bastante.


Diante disso, não queremos mostrar à sociedade que algo que fazemos, ou em que acreditamos, é efêmero ou está somente na moda. Pelo contrário, queremos dar valor e, para isso, vamos à procura de construir soluções e experiências que se tornem hábitos das pessoas e sobrevivam por muitas gerações, até que em algum momento se transforme em tradição. Então, a batalha é diária em busca de um reconhecimento que seja a longo prazo.


Sendo assim, onde está, então, o problema da tradição e o benefício do modismo? Para fazermos esse raciocínio, agora, temos que levar em conta o que está no interior dessa 'tradição'. Como assim? Durante muito tempo, adotamos e aceitamos cenários hoje ultrapassados em nome dessa conquista.


Por exemplo, que situações temos até os dias atuais vistas como 'tradição'? Para citar um deles, há a forte presença, ainda, do homem hétero branco como os 'grandes protagonistas' não só no campo corporativo, bem como no ambiente familiar. No entanto, não nos atenhamos a um personagem. Em questão desse atraso, também enxergamos ocasiões semelhantes nos próprios costumes e comportamentos de cada um de nós seres humanos.


O específico fato de nós, (agora) homens héteros brancos, apontarmos que a valorização e o crescimento da mulher no mercado, e no mundo, é 'modismo', mostra o quão prejudicial é um discurso que reforça, e reforçava, a tal 'tradição' mantida até aqui. E assim se segue sobre a presença de negros, homossexuais, trans e qualquer outra minoria social que esteja sendo invalidada pela nossa fala, parte da sociedade tão privilegiada durante toda a história.


Se a situação fosse contrária, você gostaria de ver o seu poder de fala sendo contestado e contrabatido incessantemente por quem se impôs e sobrepôs em cima de quem quis, sem deixar que uma 'segunda voz' pudesse dar uma opinião diferente a respeito? Não. Certo? Você consegue ver, também, que essa 'tradição' exclusiva e esse 'modismo' inclusivo passou da hora de interpretarmos da maneira como eles realmente são?


Pois bem. Proponho, então, uma 'nova tradição' a ser criada sob todo esse contexto: a tradição em se adaptar. Temos que nos adaptar e escutar essas pessoas que, durante séculos, não tiveram suas vozes ouvidas, compreendidas e valorizadas. E isso não é um caminho curto, muito menos devemos parar por aí. É nosso dever também botarmos em prática isso dentro do nosso cotidiano.


Além de escutarmos esses indivíduos, é preciso pararmos de chamar o crescimento das minorias sociais como 'modismo', para ficarmos desprezando a luta por espaço do outro, que hoje já possuímos. Esse discurso tem de parar logo e apontarmos para aqueles que ainda o dizem que isso não está certo e fazia parte de uma sociedade ultrapassada e primitiva. Se você se diz como alguém que valoriza as diferenças, que sentido faz em manter uma fala que enaltece apenas um 'tipo' de pessoa? Exato, nenhum!


Tudo isso abordado até agora vale tanto para o âmbito profissional quanto para o pessoal. Então, vamos parar de querer colocar 'problemas' na causa do próximo, para mostrar que só a nossa vale a pena. Em vez disso, vamos escutar atentamente e respeitar. O que acham?


Às empresas atentas num debate como esse, reflitam sobre isso dentro e fora dos próprios ambientes. Observe e converse com o público interno e externo, ou seja, colaboradores e aqueles que se beneficiam de seus produtos e serviços.


E aí, qual vai ser seu comportamento na próxima vez que ouvir a mulher, o negro, o trans, o homossexual, o vegetariano, o idoso e qualquer outro indivíduo que busca a luta pelo seu espaço valorizado na sociedade? Sejamos autocríticos e abracemos a tradição em nos adaptar e reconhecer tudo isso como mais do que um simples 'modismo'.


Obs: Para quem tem a oportunidade de conviver comigo diariamente, fique mais do que à vontade em apontar os momentos em que não adoto essa postura que tanto reforcei aqui.


NOTA: Este texto foi originalmente escrito por Fábio Reis em seu LinkedIn. Para conferir por lá, acesse: https://bit.ly/o-problema-da-tradição-e-benefício-do-modismo-linkedin.


#PoderdoClique #Reflexões

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